As Renúncias

Fui convidada para ser madrinha do casamento de uma das minhas melhores amigas, que aconteceria um mês e meio depois de eu sair do Brasil. Eu não aceitei o convite de madrinha, achei que era muito cedo para ter o compromisso de ter que voltar ao Brasil, porém fiquei de confirmar a minha presença no casamento posteriormente, e avisei que eu tinha a intenção de ir, mas apenas como convidada, pois se por algum motivo eu não pudesse ir, tudo bem.

Entretanto, eu não esperava que na semana do casamento seria também a semana que eu pegaria as chaves do meu carro e da minha casa nova. Eu estava muito tentada a ir ao casório, mas não me senti confortável em deixar o Mark, que estava se adaptando ao trabalho novo, à cultura dentro do escritório, lidando sozinho com essas coisas que seriam tão importantes para a construção da nossa vida em um novo país. Como parceira de um expatriado eu sabia que era minha responsabilidade cuidar das burocracias e dos pepinos que esses processos apresentariam. Além do mais, eram passos importantes para a gente como casal, afinal essa era a nossa primeira aquisição de um carro como casal, a primeira casa nossa, como casal. No Brasil, o Mark já tinha a casa montada e eu tinha me mudado para a casa dele, o que é totalmente diferente de você entrar em uma casa juntos, como um casal.

Foi um dilema muito grande para mim escolher ficar nos US ou voltar para o Brasil. E eu decidi ficar nos US. Decidi me dedicar à história que eu estava escrevendo. E sofri. E sofri muito. Fiquei vendo as fotos do casamento no Instagram e Facebook e eu queria muito estar lá. Doeu muito ver todas as minhas amigas juntas celebrando, doeu muito não estar no casamento da minha amiga. Chorei naquela noite. Questionei se estava fazendo a coisa certa.

No dia seguinte acordei sabendo que eu tinha tomado a decisão certa, de me dedicar ao meu presente, à família que eu estava construindo, à história que eu estava escrevendo. Aquele era um momento importante para a minha amiga, mas também era para mim.

E aquela noite, na verdade, foi um só um esquenta do que estava por vir. A verdade é que quando você vai morar fora você tem que se preparar para estar ausente de momentos importantes nas vidas das pessoas que você ama, das pessoas que são importantes para você. Você vai perder aniversários de amigos, casamentos, nascimentos, batizados, formaturas, encontros de colegas de colégio, faculdade, velórios. Talvez não consiga estar ao lado de seus pais ou algum membro de família se eles adoecerem. E isso vai doer. Vai bater peso na consciência, vai dar vontade de estar do lado deles, vai se questionar se está fazendo a coisa certa de ir morar tão longe. Vai ficar “homesick” (com saudades “de casa”). Vai doer ver sua família e seus amigos se divertindo sem você. Vai doer ver que a vida de todo mundo continua sem você e você pode até pensar que talvez você não seja tão importante como achava que era para essas pessoas… Mas não é bem assim. Simplesmente a vida deles tem que continuar. E a sua também.

Hoje eu vejo que eu tomei a decisão certa de não ter ido ao casamento da minha amiga, não só porque foi a semana de pegar a chave do nosso carro e da nossa casa. Foi importante eu não ter ido porque era meu papel, como esposa de um expatriado, dar suporte ao meu parceiro; porque era o momento de eu iniciar a minha vida nos US, porque era o momento de eu fazer de New Orleans  a minha nova casa e ficar voltando para o Rio só ia confundir a minha cabeça e os meus sentimentos. Porque eu tinha que começar a me acostumar a não estar mais em todos os eventos da galera.

Eu acabei só voltando ao Brasil depois de 6 meses que eu havia me mudado para Nola e isso foi muito bom. Eu estava com muitas saudades das minhas amigas, dos meus amigos, da minha família. Mas neste período de tempo eu já tinha feito de New Orleans o meu lar. Depois de três semanas no Rio de Janeiro eu estava louca para voltar pra CASA. Acho que se eu tivesso ido antes eu ia ficar desnorteada, sem saber onde era casa e acabar ficando muito mais homesick.

 Se eu posso dar um conselho é: não volte para seu país até você terminar o seu processo de mudança, se assentar em sua casa nova, fazer daquele lugar desconhecido a sua casa.

Essa foi uma das últimas fotos que eu tirei com a MINHA galera. Foi na minha festa de despedida do Brasil. Eu não sabia que ia doer tanto ficar vendo as fotos das amigas se divertindo pelas redes sociais e eu não estar com elas…

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