Aterrissando em Nola

Estava pensando em quanta coisa quero postar aqui e me dei conta que nada faz muito sentido se eu não contar a minha história, minhas experiências no início da minha vida fora do meu país natal. Tudo o que penso em escrever sobre o dia a dia na gringa tem um fundamento no processo de mudança em si. Então da mesma maneira que fiz uma série de posts sobre a minha saída do Brasil e sobre o Enxoval de Bebê, é hora de fazer uma série de posts sobre a minha chegada em Nola, a minha experiência em me assentar em um novo assignment. Então, vamos começar:

Saímos do Rio na véspera do Carnaval, num valor de 40 graus e desembarcamos em Nola para começar uma nova vida na véspera do Mardi Gras, o Carnaval de New Orleans, num frio de 2C.

Como falei em posts anteriores, já tinha ido aos US várias vezes e tinha uma ideia do que esperar da cidade que eu ia morar. Mas já ao desembarcar no aeroporto me dei conta que as coisas poderiam ser um pouco diferentes…

O aeroporto era pequeno, nada moderno, como eu estava acostumada a ver em outras cidades dos USA. O carpete era marrom, com paredes beige e o pior: tinha um forte cheiro de mofo. As malas levaram HORAS pra chegar. Enquanto isso tinha uma bandinha tocando músicas de jazz, tipo pra entreter e não ter viajante estressado reclamando, sabe? Posso falar que levei um choque, não parecia que eu tinha desembarcado em um aeroporto de um país de primeiro mundo.

A empresa já tinha reservado um carro pra nos levar do aeroporto ao apartamento que íamos ficar temporariamente. Encontramos com o motorista, que já estava esperando a gente com as plaquinhas com nossos nomes no carrossel das malas e lá fomos nós com as nossas 10 malas para o carro.

Posso falar que não estava super ansiosa pra conhecer a cidade. Claro que estava curiosa pra conhecer o lugar que iria morar, mas eu estava sem euforia. Eu não queria chegar em New Orleans como eu tinha chegado em todos os novos destinos que eu já havia visitado até então: como turista, querendo saber tudo e conhecer tudo em tempo recorde. Na minha mente era o lugar que eu iria morar e eu queria chegar com o mindset de residente, não de turista. Queria chegar focada nas atividades que eu teria que fazer para iniciar minha nova vida naquela cidade, naquele país. Naquele momento New Orleans era apenas uma cidade dos US, um lugar que eu teria que me acostumar querendo ou não porque era ali que eu ia morar pelos próximos 4 anos.

No caminho até o nosso apartamento não me lembro de ter visto nada que me chamasse muito a atenção, que me desse algum encantamento. Chegando no endereço do nosso apartamento temporário, tinha apenas um restaurante. Não tinha portaria, nada. E o motorista já estava tirando as nossas malas do carro. Eu falei “peraí, tem algo errado aqui!” Eu expliquei que a gente ia para um apartamento, não podia ser ali. Ele continuou a tirar as malas do carro. Aquilo me deu uma raiva.. Enfim, pedi para o Mark ficar ali com as malas enquanto eu ia dar uma olhada na situação. Dei uma volta pelo prédio e descobri que a entrada dos apartamentos era numa outra rua. Falei para o motorista deixar a gente na portaria e ele ficou pau da vida, mas colocou as malas que ele já tinha tirado do carro de volta no carro e deixou a gente na porta, de muito mal humor. . Sério que o cara queria deixar a gente com 10 malas em qualquer lugar??? Aquilo ali já me deu uma péssima impressão das pessoas… Parece besteira, mas não foi um bom começo.

Talvez para o motorista aquilo era apenas mais uma corrida, mas pra mim, além de obviamente estar cansada depois de uma viagem internacional com escala, era um momento de transição na minha vida, um momento que eu estava insegura, ansiosa, curiosa, triste, alegre, com um turbilhão de sentimentos. Foi uma pena ele ter tido a atitude que teve porque foi o que acabou marcando a nossa chegada à Nola.

Enfim, passado este episódio, fomos para o apartamento. O lugar era um prédio antigo que foi reformado: fizeram 2 restaurantes no primeiro andar, um Thailandês e um vietnamita e no segundo andar criaram apartamentos. O apartamento era um pouco escuro, mas era tudo novinho, os móveis eram bonitinhos. Íamos ficar ali até acharmos uma casa para se mudar, então estava ok.  Provavelmente iríamos ficar ali apenas durante um período que poderia variar entre 2 semanas e 2 meses. E de qualquer maneira, era melhor ficar em um apartamento que em um quarto de hotel.

Eu cheguei a contar que quando o Mark veio para fazer umas reuniões antes da nossa mudança ele já aproveitou para trazer nossas roupas de frio, né? Pois é, ele deixou nossas malas com um colega de trabalho que viajou no dia em que nós chegamos – estava embarcado – e nossas malas de roupas de frio estavam trancadas no escritório dele.. Grrr. Passei perregngue de frio neses dois primeiros dias e confesso que só saí de casa para fazer coisas extremamente necessárias. No terceiro dia Mark me levou ao mall para comprar roupas de frio e aí sim a minha vida começou!

Eu admito que que nunca fui medrosa, nunca tive medo de me perder, mas fiquei travada quando cheguei em Nola. Ficava morrendo de medo de me perder nas ruas e não conseguir voltar ao apartamento. Acho que foi um stress de adaptação, um sentimento que eu nunca tinha tido, mas aos poucos, fui vencendo esta barreira e comecei a explorar a área. Na verdade, eu tinha que vencer esta barreira, pois já estava na hora de startar minha vida em Nola.

Nesses dias que eu fiquei mais em casa eu aproveitei para ler um pouco sobre a cidade e planejar os próximo passos. Também fui à uma lojinha muito próxima ao apartamento só para comprar um chip de telefone.

Comecei então a marcar de encontrar as pessoas que eu deveria encontrar: a expat advisor, a corretora e a pessoa que dá suporte para os estrangeiros da empresa.

Vou contar aos poucos, nos próximos posts como foram os capítulos da novelas dos encontros com cada uma dessas pessoas.🙈

O prédio rosa na esquina foi onde a gente ficou temporariamente quando chegou.

 

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