Minha Jornada de Amamentação

Quando estava grávida eu li muito sobre as opções de alimentar o bebê durante os seus primeiros meses de vida – fórmula, amamentação, leite materno na mamadeira ou uma combinação de peito e mamadeira – e eu optei por amamentar e me preparei bastante pra isso. Fui à palestra sobre amamentação, marquei uma hora com uma enfermeira de lactação (serviços disponíveis no hospital que eu tive meu filho), li livros, vi videos no Youtube e conversei com amigas para entender os desafios da amamentação e pegar dicas.

Você deve estar se questionando: “Como assim, amamentação não é um processo natural?”. É um processo da natureza, mas não é tão natural assim. São 2 pessoas fazendo pela primeira vez algo que nunca fizeram na vida: a mãe dando o peito e o bebê mamando. Se não tiver preparo por parte da mãe, talvez até mesmo ajuda de um profissional ou de uma pessoa experiente, tem grandes riscos de dar errado. Muitas mães sofrem muito por não conseguirem amamentar, os desafios são enormes, impresíveis, penosos tanto fisicamente quanto emocionalente, a mãe estºa num momento de transformaão profunda, com hormônios a mil e eu, sabendo das dificuldades,  queria fazer de tudo para ser bem sucedida nesta tarefa, principalmente pelos benefícios, tanto pra mim quanto para o meu filho.

Seguem abaixo as recomendações que eu segui e que me ajudaram muito:

  • No enxoval eu comprei coisas que facilitariam amamentação, como nursing pads, soutiens e camisolas apropriadas e almofada de amamentação, mas não comprei nada que pudesse interferir na pegada do bebê, como mamadeira ou chupeta.
  • Preparar os seios para a amamentação com a pomada de lanolina. Eu usei a Lansinoh.
  • A não ser que você esteja em uma praia na Europa, não é fácil conseguir um local apropriado, mas se puder tomar sol nas mamas ajuda muito a preparar os seios para a amamentação.
  • Conversar com uma enfermeira de lactação melhorou muito a minha auto-estima em relação à este processo. Tirei todas as minhas dúvidas, receios em relação à como segurar o bebê sem ter a mão esquerda, se meu bico do peito não era pequeno, enfim, tirei todas as neuras que passam na nossa cabeça e saí daquela conversa me sentindo super segura e confiante.
  • Após o beber nascer, no hospital, TODA vez que for amamentar chamar a enfermeira de lactação. O que acontece é: se as primeiras pegas forem erradas e o bebê machucar o bico do seio da mamãe a amamentação vai ser muito penosa e dolorosa para a mãe, pode ter risco de inflamação e consequentemente fazer com a amamentação não seja bem sucedida.
  • Levar a bomba de amamentação para o hospital, assim as enfermeiras podem te ensinar a usá-la e você ainda pode estimular a produção de leite logo após o nascimento do bebê.

Outra coisa que foi maravilhosa: a Golden Hour no hospital. O Henry nasceu e já colocaram ele direto no meu peito, não tem essa de levar o bebê pra longe da mãe para tirar medidas… Eles deixam o bebê cm a mãe uma hora, pra fgente se conhecer. E ele já foi direto mamar, foi incrível! A enfermeira de lactção veio e nos orientou a fazer a pega correta.

Além disso, ao chegar em casa:

  • Procurar sempre uma posição confortável, para evitar dores nos ombros, braços e pescoço.
  • Ter espalhado pela casa copos de água e pequenos snacks para garantir uma hidratação adequada e energia suficiente para o seu corpo produzir leite
  • Seguir uma dieta equilibrada, rica principalmente em gorduras boas e ervas que estimulem a produção de leite – eu tomei chás especiais para aumentar a produção e comia lactation bars or cookies durante os primeiros 6 meses.
  • É muito importante o apoio do parceiro ou das pessoas envolvidas nos cuidados do bebê. Pra mim, ter combinado com o meu marido desde a gravidez que queríamos alimentá-lo exclusivamente através da amamentação e ter tido o suporte dele foi fundamental. Pequenas coisas como me alimentar enquanto estou amamentando, trazer um copo de água pra mim ajudaram muito. Minha madrasta que fez curso de recèm-nascido para poder ajudar, me mandou videos da palestrante mostrando diferentes posições para segurar o bebê durante a amamamentação também foi super motivacional, um suporte incrível.

Desafios:

  • Os maiores desafios que eu tive começaram logo no hospital, quando logo na noite em que nasceu o nível de açúcar do Henry estava baixo e a pediatra recomendou que ele tomasse fórmula. Fiquei morrendo de medo daquela mamadeira nas primeiras horas de vida acabarem com os meus planos de amamentar. Mas conversei com as enfermeiras e combinamos de eu dar o peito, logo em seguida elas dariam a mamadeira e fariam o exame. Se os resultados estivessem ok não precisaria dar mais a mamadeira. Infelizmente, no primeiro exame a glicose dele ainda estava baixa, portanto tivemos que repetir o processo. Mas na segunda tentativa a glicose dele normalizou e graças a Deus ele seguiu feliz e contente no peito.
  • Outro desafio é que a minha geração é uma geração de bebês que foram alimentados por fórmula, a maioria de nós é filho de mães que ou não amamentou ou por pressão da indústria alimentícia amamentou por um período muito curto de tempo. Então, por mais que as nossas mães aceitem ou deem suporte para você amamentar é difícil para elas nos ajudar. Minha mãe não conseguia oferecer nenhuma ajuda, pois ela não tinha experiência em amamentar e minha sogra, que é uma fofa, mas mesmo sem ter a intenção, pelo fato de ela ter mencionado algumas vezes  que o bebê estava chorando de fome, que a gente deveria logo dar uma mamadeira pra ele, me magoou muito.  Eu cheguei a chorar ao escutá-la uma vez falando isso para o meu marido, definitivamente eu entendo que essa foi a experiência dela, mas não é uma maneira de apoiar uma mãe lactante, que está vivendo o seu momento maternidade e tendo uma experiência diferente da que ela teve.
  • O peito ficar duro e inchado (aqui eles chamam de engorgement) era um saco, mas nada que um banho quente e tirar um pouco do leite com a bombinha não resolvessem.
  • Outro desafio foram as dores nos ombros e pescoço, que me renderam algumas visitas ao quiroprata.
  • E pra mim o desafio mais difícil foi a solidão. A amamentação te isola na sua própria casa. Muitas vezes meu marido fazia o jantar, todos sentavam na mesa e o Henry sentia que todo mundo ia comer e queria comer também. Começava a chorar e eu tinha que ir dar o peito pra ele, quando acabava, todo mundo já tinha jantado, conversado, sobrava pra mim só comer o prato frio e sozinha. E isso fazia eu me sentir super isolada.

Minha jornada:

Eu amamentei em livre demanda até os 8 meses, quando a introdução alimentar estava começando a ficar bem estabelecida, tinhamos horários definidos para os alimentos sólidos, então comecei a fixar horários para as mamadas também. Quando o Henry estava com 1 ano e 2 meses eu cortei as mamadas na madrugada, não aguentava mais ele acordando querendo peito, eu literalmente estava enlouquecendo. Meu marido passou a ser o 100% responsável a dar atenção à ele caso acordasse de noite e só aí então desistiu de acordar durante a noite, já que meu marido não tinha o leitinho – esta é uma boa dica de desmame noturno.

Hoje, Henry está com 21 meses e eu estou fazendo um desmame gradual e gentil. Aos poucos, eu fui cortando uma das mamadas do dia, depois outra… Ele mamava umas 8, 9 vezes por dia, hoje mama 4 vezes: mama quando acorda, antes da soneca, religiosamente às 4 da tarde e antes de dormir. Em breve vou cortar a mamada antes da soneca, vou aproveitar que ele começará a escola e vai tirar sonequinha lá para cortar a mamada pré-soneca nos finais de semana também, até mesmo para ele ter uma rotina fixa. Meu plano é a partir de 2 anos de idade começar a cortar também a mamada das 16 horas e depois seguir só com as mamadas antes de dormir e acordar. Mas, eu tenho o pé no chão, plano é uma coisa e realidade é outra. Se ele fica dodói ou com dentinho nascendo eu volto 2 casas (rsrsrs) e acabo amamentando em livre demanda, afinal o peito não é só dar leite, é dar atenção, aconchego, calor, conforto.

Não sei quando ou como o desmame completo vai acontecer, não sei se ele vai achar que cresceu e não é mais um bebê e que não precisa mais do peito ou se eu é que em algum momento vou encher o saco e pedir arrego, só sei que hoje eu curto muito esse momento entre nós dois, ficar ali quietinha com ele nos meus braços, saber que ali é o melhor lugar do mundo pra ele, ver ele adormecer feliz e aconchegado no meu peito. Sei que provavelmente ele não se vai lembrar de nada disso, mas eu vou guardar esses momentos em minha memória com muito amor e carinho para sempre.

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Este post é baseado apenas na minha experiência, não tem nada de certo ou errado, só estou contando que aconteceu comigo e emitindo as minhas opiniões. Tenho todo o respeito pelas mães que não conseguiram amamentar ou optaram pela fórmula ou pela retirada de leite com bomba. Só cada mãe e suas famílias podem decidir o que é melhor para elas e seus filhos. 

 

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