As despedidas

No meio da maratona da mudança vieram as despedidas. Primeiro veio a despedida da empresa. Meu cargo acabaria em 31 de dezembro de 2018. Não era exatamente um Adeus, já que eu estava saindo com um ano de um sabático, ou seja, existiria chance de eu voltar, mas esta chance era muito remota. Na verdade o sabático era apenas um plano B, caso eu não estivesse feliz nos US.

Posso dizer que foi uma despedida MUITO triste. Por 12 anos eu acordei e me dirigi ao mesmo lugar, fiz amigos ali, conheci meu parceiro ali, tinha a minha vida toda estabelecida ao redor da empresa: a localização do meu apartamento, os meus médicos, academia… Me dei conta que minha vida girava muito em função da empresa e de uma hora pra outra aquilo ia acabar. Foi triste porque eu gostava do meu trabalho, eu era feliz com os meus colegas, com o meu salário… Foi triste porque para mim foi o meu último dia, mas para o meu chefe e colegas de trabalho foi apenas um dia como outro qualquer… Não teve uma palestra, um agradecimento, um tchau oficial, um presentinho… Posso falar que muitas pessoas vieram comentar comigo que isso foi um absurdo, mas foi assim que aconteceu e por um lado, fez a despedida ficar mais fácil. Me dei conta que ali eu era apenas um número e a vida tem que seguir em frente.

Depois vieram as despedidas da familia, de Angra dos Reis – um lugar que eu ia muito desde a adolescência, dos amigos, do apartamento que morávamos e, por último, do Rio de Janeiro…

Minha casa nos meus últimos dias de Rio de Janeiro foi o hotel Fasano, pela localização estratégica, meio do caminho entre a Barra e Zona Sul, perto da casa das minhas irmãs e pela vista. Aproveitar ao máximo o melhor da minha cidade enquanto ainda podia. Minha família e vários amigos foram nos fazer companhia nestes últimos dias no Rio. Aproveitamos a praia, a piscina do Fasano, o por do sol no Rio…

No meu último dia a minha família passou a tarde com a gente e alguns amigos também foram ao hotel nos ver. Alguns amigos choraram muito, mas eu estava bem. Eu sabia que, independentemente da distância, a amizade continuaria.

Aquele dia não teve por do sol, o que facilita a despedida. Fizemos o check out e nosso carro chegou. Um carro enorme, blindado (esta foi uma precaução que tomamos, afinal, o trajeto até o Aeroporto do Rio de Janeiro não é o mais seguro e estávamos carregando uma boa quantia de dinheiro para iniciar uma nova vida fora do país e 10 malas com todas as nossas roupas, joias, bens de valor sentimental, fotos, enfim, todas as coisas mais importantes pra gente estavam naquele carro).

Quando entramos no carro e ele começou o trajeto para o Aeroporto, olhando pela janela vi as pedras do Arpoador, a escola que eu estudei, o posto 6 em Copacabana, o Cristo Redentor, a maternidade que eu nasci, o cemitério que meus avós estavam… Pela janela do carro fui vendo a minha vida passando como um filme. Eu estava colocando um ponto final em tudo o que eui construí até ali e seguindo para um destino desconhecido, mudando o rumo da minha vida, sendo levada por um amor e deixando todos os outros amores para trás.

E chorei. E comecei a chorar compulsivamente. E foi aí que eu entendi porque o Mark inistiu tanto em alugar um carro grande pra gente. Ele não queria correr o risco de a empresa alugar 2 carros pequenos e então eu tivesse que fazer esse trajeto sozinha. Ele já havia passado por uma mudança e sabia o que estava por vir. Naquele momento eu me dei conta que estava deixando pra trás muito mais que o meu apartamento, meu trabalho, meus amigos, minha cachorra e minha família. Estava deixando pra trás também o meu carioca life style, a minha cidade, o meu país, a minha história, as minhas referências, os meus por do sol no posto 9, as minhas águas de côco depois das corridas… Eu estava me despindo de tudo o que eu já havia vivido até ali, estava me sentindo frágil, emocionada e sem saber o que estava por vir pela frente.

Quando eu trabalhava, especialmente nos dias de sol e boas ondas, eu ficava sonhando em um dia comprar um ticket só de ida… Pois o meu sonho tinha virado realidade, eu estava vivendo ele ali, naquele momento, sentada no portão de embarque do Aeroporto Galeão, tomando conta das nossas 10 malas e segurando nas mãos aquele ticket só de ida. Eu não sabia a revolução que estava pra acontecer na minha vida. Naquele momento eu estava embarcando em uma viagem sem volta: deixando de ser a Karen, carioca, para se transformar em uma expatriada, uma cidadã do mundo.

IMG_3985Meu último dia no Rio de Janeiro: não ter por do sol naquela tarde amenizou a dor da minha despedida da cidade maravilhosa. 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close