Assumindo o Nosso Relacionamento

Inicialmente mantivemos o nosso relacionamento em segredo. Sabíamos que éramos bons colegas de trabalho e grandes amigos, mas queríamos saber se a relação como homem e mulher também ia funcionar antes de nos expormos no trabalho. Essa foi uma decisão tanto para proteger a nossa vida pessoal, como para manter o profissionalismo.

Nossa empresa ficava numa área bem residencial e tanto a gente como um grande número de colegas morávamos próximos à empresa. Só no condomínio do Mark tinham 17 funcionários. Foi um grande desafio manter nossa relação em segredo, era um esquema tenso. Ficávamos atentos para que ninguém visse a gente saindo do trabalho junto, saíamos para jantar do outro lado da cidade para evitar esbarrar em algum colega de trabalho e o pior era ir à casa dele… Quantas vezes tive que me esconder por ver algum colega de trabalho, morador do condomínio, chegando junto com a gente na garagem… Nosso maior receio era que alguém visse e a “fofoca” chegasse nos ouvidos de um dos nossos chefes antes que a gente tivesse a oportunidade de contá-los. Ía pegar muito mal se eles não soubessem pela nossa própria boca, mas sim por terceiros.

Foi difícil não poder ficar com ele nos choppinhos, foi difícil ele ficar quieto quando algum colega de trabnalho ia fazer algum comentário sobre  mim pra ele (sim, mesmo que a gente vá de calça comprida e sem decote, os homens dão un jeito de achar a gente sexy, aff), foi difícil cada hora ele ter que inventar uma desculpa para não ir ao chopp dos meninos com tanta frequência. Ele falou que ele tinha uma namorada, mas o que ninguém sabia era que a tal namorada era eu.

Pra mim este período foi bem estressante também porque eu tinha medo que identificassem a possibilidade de haver conflito de interesse em nosso relacionamento, por sermos da mesma área. Neste caso como eu não era especialista, eu seria a impactada. Eu sabia que existia o risco de eles me transferirem para uma outra área.

Mesmo namorando escondido ainda ficávamos juntos 24 horas. Chegávamos juntos no trabalho, trabalhávamos no mesmo andar, muitas vezes participávamos das mesmas reuniões. Saíamos do trabalho e íamos juntos à academia, ao pilates (que começamos a praticar juntos) ou aos happy hours do trabalho. Depois voltávamos juntos para casa e no dia seguinte começava tudo de novo. Sem falar nos fins de semana, sempre grudados.

Eu sempre fui muito independente e auto-suficiente, sempre gostei de ter meu espaço e foi uma surpresa viver um relacionamento assim tão intenso. De maneira nenhuma eu senti o meu espaço invadido, pelo contrário, eu curti muito aquele grude todo. Depois de 3 meses a gente viu que o relacionamento estava indo de vendo em popa. Também estava começando a ficar difícil manter o namoro em segredo. Era chegada a hora de contar para os chefes.

Tinhamos 3 pessoas para contar: o big boss da área, que era o chefe direto do Mark e os meus 2 chefes: eu tinha um chefe na organização e um chefe que era mais próximo do meu dia-a-dia, que ficava na área de Finanças. Comecei por ele.

Eu aproveitei uma reunião face-to-face para entrar no assunto. Ele ficou surpreso, falou que nunca passou pela cabeça dele que puidéssemos estar juntos. E para meu alivio confirmou que não havia nenhum conflito de interesse.Uffaaaa!!!

Depois foi a vez do Mark contar para o Big Boss da área, um turco, super durão. Todo mundo tinha medo dele. Eu mal sabia que ele era o meu melhor amigo… Quando o Mark contou sonbre o nosso relacionamento ele deu um esporro no Mark. Mandou ter muita responsabilidade comigo e que pensasse muito bem o que ia fazer comigo quando ele fosse embora. Falou que nada de ficar se divertindo comigo e depois não assumir compromisso. kkkk! Ri muito.

Bem, ainda faltava o meu chefe direto na organização. E ele era um cara complicado. Um grego difícil, sempre ocupado, eu tinha sempre que catar ele de jeito para pedir qualquer coisa, até mesmo uma simples aprovação no SAP (sistema de controles da que a empresa utilizava). E não foi diferente para este assunto. Fiquei corendo atrás dele por uma semana,  e ele sempre em reunião, com alguém na mesa, quando eu tinha a oportunidade não tinha a privacidade. Enfim, entrei de férias e não consegui falar com ele. Deixei o assunto pendente para quando eu voltasse.

Só que no meio das minhas férias, o Mark falou que foi convidado pelo meu chefe para jantar na casa dele com a nova namorada!!! O QUE???? Lei de Murphy!!! Enfim, eu falei pro Mark que ele que ia ter que contar quem era a namorada! Imagina eu aparecer na casa do meu cefe sem ele saber que eu estava indo jantar na casa dele????

Bom, de novo, Mark não conseguiu um tempo à sós com ele… Chegou o dia do jantar. Eu falei que não ia de jeito nenhum sem ele saber que eu estava indo na casa dele. Mark teve que ligar para ele, a esposa dele que atendeu o celular, falou que o meu chefe estava no parquinho com o filho. Mark contou pra ela que eu era a namorada e que eu estava indo jantar na casa dele. Cheguei na casa dele, e ele ria muito! Enfim, falou que entendia totalmente a situação, que ele e a esposa passaram pelo mesmo quando trabalharam na Escócia. Tivamos uma noite super agradável e este foi dia de liberdade! Missão cumprida, todos os chefes já sabiam e para o resto dos funcionários não devíamos nenhuma satisfação, não precisávamos mais nos esconder, podíamos viver nosso romance em paz, e eu sem medo de ser transferida de área.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close