Mãe de Primeira Viagem

Okay, você acabou de receber alta do hospital. Já pode ir para a sua casa? Em um primeiro momento você sente alívio! Não acredita que vai sair daquele lugar, que não vai ter nenhum enfermeiro te acordando de noite, que finalmente você vai voltar pra sua casa e ficar em paz com a sua família e o novo membro!

Esse momento de alívio dura até a chegada ao estacionamento do hostital quando você tem o primeiro choque: “Como vou colocar este recém-nascidos-nascido neste car seat (moisés)???” O pânico começa a se instalar em seu corpo. O seu marido (que normalmente é um alucinado no trânsito) dirige até em casa a 15 km por hora, afinal tem que tomar MUITO cuidado com o bebê.

Quem já trouxe um recém-nascidos-nascido pra casa sob sua responsabilidade sabe do que estou falando. Todas as fases da infância tem os seus desafios, mas o recèm-nascido é  uma coisa única, ainda mais na era da internet, em que você é bombardeado de informações contraditórias, recebe alerta em relação à tudo: “não pode travesseiro; o bebê não pode virar de lado, tem que dormir de barriga pra cima; cuidado com a síndrome da morte súbita; não pode pasar frio, não pode sentir calor…” Já ouvi de enfermeiras de maternidades, super experientes em cuidar de bebês falarem: “é, mas quando foi o meu.. foi diferente… I was overwhelmed (foi demais pra mim, fiquei sobrecarregada)!”

Do momento que você cruza a porta da sua casa com aquele bebezinho no braço sua vida muda drasticamente EM TUDO! A rotina da casa, a rotina com o seu parceiro, a sua rotina… A sua rotina de escovar os dentes, de comer, de dormir, de tomar banho, de ir ao banheiro… Quem dirá a sua rotina de fazer as unhas, de ir ao salão, de ir à ginástica, de conversar com uma amiga, de fazer a sua própria comida.. Nada mais será como antes, pelo menos por um bom tempo.

Existe um bebê que passou praticamente 10 meses dentro do seu corpo e ele não conhece nada neste mundo além do seu cheiro, do som das batidas do seu coração, do barulho do fluxo do seu sangue, do tom da sua voz… E ele precisa de você PRA TUDO. Você tem que se acostumar a não ter mais mãos livres. Tem que se acostumar a ficar horas sentada imóvel com um bichinho grudado no seu peito, ou dormindo no calor da sua barriga. Porque este é o único lugar que ele reconhece, é o único lugar que faz ele se sentir bem.

Apesar de ter lido alguns livros, conversado com amigas, de ter frequentado mais de 30 aulas pré-parto me preparando para receber aquela criaturinha, eu não estava preparada para isso… Eu não estava preparada para essa doação a um nível 365.000%. Chega uma hora que você não tem mais nada para dar, mas ele quer mais, ele precisa de mais…. E você tira forças e energia sei lá de onde e dá pra ele.. Quer dizer a gente sabe de onde…

Apesar das alterações hormonais que acompanham este período (sim, além de todas as transformações mencionadas ainda tem as milhões de transformações no nosso corpo), dos momentos de blues, do riso sem motivo seguido de um choro incontrolável, existe um amor sem medida que brota da gente. A gente achava que sabia o que era amor.. Sabe de nada inocente… O amor que transborda da gente (culpa to tal hormônio oxitocina, o mesmo que ajuda na produção de leite) é que dá forças pra gente passar uma madrugada inteira acordada, sabendo que ficará em pé de dia também. O mesmo que ajuda a gente aguentar a choradeira da cólica, que ajuda a gente a achar ok trocar uma fralda que vazou 💩 pra tudo que é lado às 4 da manhã.

O meu período de 0 a 1 ano do meu filho foi o mais gostoso, porém o mais difícil da minha vida. Não é fácil pra ninguém, ainda mais quando você está fora de seu país, longe de seus parentes, de suas amigas e sem uma rede de apoio.

Nos próximos posts vou falar dos challenges (desafios) e dos pontos positivos de ter me transformado em mãe em Nova Orleans.

Essa aí sou eu saindo da maternidade com o meu pequenino.

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